A diferença entre o olhar e o ver…
A diferença entre o olha e o ver…
Autor: Luis Vasconcellos
(artigo disponibilizado recentemente no portal Somos Todos Um e
cedido para a Indian Rose pelo autor)

Para que exista uma obra de arte, uma escultura p.ex., são necessários o artista, a concepção do artista, uma habilidade desenvolvida pelo artista, um material moldável e ferramentas apropriadas. De que serviria tudo isto sem um observador congruente com a tarefa de ver?
Da idéia até a escultura (ou obra finalizada), várias fases são cumpridas e elas não são evidentes no trabalho realizado.
Contudo, sem a matéria inerte, a pedra ou rocha, sem a idéia, sem o artista, sem as ferramentas corretas nada aconteceria e não teríamos o que admirar com nossos olhos. Estes são, ao mesmo tempo, nosso veículo para olhar, mas só realmente vê aquele que consegue perceber a idéia do artista, sua humanidade, personalidade, maturidade, sensibilidade, a natureza peculiar da rocha (ou qq outro material, como a madeira) e, quem sabe, até os efeitos destas ou daquelas ferramentas usadas. Olhar depende dos olhos, mas o ver depende da consciência.
O que ficaria apenas implícito é revelado para quem tem o conteúdo da EXPERIÊNCIA INDIVIDUAL a lhe compor a visão da totalidade da obra ao invés de sucumbir às ilusões imaginativas de um simples olhar.
Quem ainda não tira frutos de sua experiência para ver o que olha não consegue compor um todo inteligível e compreensível, nem colocar em uma perspectiva mais ampla aquilo que está percebendo.
Quem sucumbe unicamente ao impacto sensório e emocional da obra fica sem ver os demais conteúdos ali implícitos, porém passíveis de serem vistos.
Enquanto a consciência se desenvolve em nós, o passo mais importante é: se dar conta de que existe um foco e que existe um ponto de vista, sempre…
Invariavelmente e não há saída para isto. A saída, se é que merece o nome, é tomarmos consciência de que introduzimos um foco em tudo que percebemos, tudo que percebemos é eleito, de algum modo, por nós mesmos. Essa é a subjetividade inerente à percepção. Não existe observador que não esteja entrando com seus interesses, seus desejos, suas intenções, sua intencionalidade – e assim por diante – em tudo que ele percebe. Chamamos a isto intencionalidade e projeção.
Nada indica que estes dois (a existência do foco e do ponto vista) vão mudar, mas alguma coisa muda quando nos damos conta de suas características e usos. O foco da visão é um problema terrível, pois quando usamos um foco, seja qual for, ao olhar discriminamos tudo que é pertinente ao foco e o que não é pertinente simplesmente é descartado e fica fora da atenção egóica. Podemos exemplificar com a presença, em nossas imaginação, de um homem “teoricamente maduro” que só vê o trabalho na sua frente (este é o seu foco) e que não percebe nem dá relevância à esposa, aos filhos, ao seu laser, ao seu repouso, às outras pessoas em geral… Para ele só existem o trabalho e o dinheiro, a busca de poder, a competividade e seus desafios. O resto, tudo aquilo que não está em seu foco, simplesmente não existe para ele. O resto é simplesmente o restolho de sua perspectiva bem focada e é eliminado das suas considerações sumariamente, pois não tem a mesma importância nem está no centro de sua atenção egóica..
Para efeito de compensação e complementação entre as polaridades feminina e masculina, vejamos também em nossa imaginação uma mulher para quem só existe (em seu foco) o relacionamento com um homem, sua casa, família, filhos e para além deste foco existe o resto, que é igualmente descartado: os maridos das outras, os filhos das outras, seus desejos mais pessoais, sua sempre adiada independência, seu direito à liberdade, seu sonho de uma carreira profissional etc..
Em ambos os exemplos aqui imaginados encontramos pessoas típicas, muitas vezes formando casais que mutuamente se compensam, mas pessoas que estão, por assim dizer, pelas metades, funcionando apenas parcialmente e longe de atingirem a porção de totalidade que suas consciências lhes permitiria, se ao menos tentassem buscar desenvolve-las.
Quem vê vai além daquilo que é percebido pelo olhar. Continue reading »
Porquê procurar compreender o simbolismo dos sonhos?
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Especialista em interpretação de sonhos
Autor: Luis Vasconcellos
O psicólogo – ao trabalhar com a interpretação dos símbolos do Inconsciente aparecidos nos sonhos – o faz não para usar uma explicação que nos defenda deles e de seus surpreendentes mistérios; nem para se colocar (e ao seu cliente) em uma posição de poder quanto à experiência do sonho, e sim, faz a interpretação dos sonhos para convidar a mente consciente a um maior contato com a fonte primordial de toda energia: o INCONSCIENTE, gerador da energia vital da qual a CONSCIÊNCIA se serve para existir e funcionar.
A este plano sempre presente em nossas vidas, mas nem sempre aceito como real, nós psicólogos damos o nome de INCONSCIENTE.
A CONSCIÊNCIA DE VIGÍLIA tem que ser conduzida a se soltar e a relaxar seus medos frente a este fato da vida, pois a conseqüência de não faze-lo, pode ser A ETERNA PRISÃO AO PASSADO E AOS AUTOMATISMOS E CONDICIONAMENTOS ADQUIRIDOS.
É bom não esquecer que podemos estar fazendo tudo certinho e nem assim nos aproximarmos da autoconsciência nem de nossa possibilidade existencial de viver em harmonia interior.
O cliente, ao apresentar um sonho ao Psicólogo, não está em busca de explicações, de nenhum tipo, a respeito do fenômeno do sonhar.
Não importa, para o cliente, saber se o cérebro produz esta ou aquela enzima durante o sonhar, se este ou aquele hormônio prevalece, nem saber qual área do cérebro está sendo estimulada. Estas informações são relevantes ao estudioso que trabalha em seu laboratório, mas de valor prático pequeno para o cliente, que precisa, isto sim, ser ensinado a se soltar e a ficar atento à VIVÊNCIA DO SONHAR.
Mais importante do que as explicações que se possam ter a respeito disto, torna-se vital que a CONSCIÊNCIA do cliente se abra e fique mais disponível para com os produtos da sua vida emocional, sentimental e vital; tornando-se – ao longo do tempo – cada vez mais, um veículo e um instrumento para as manifestações espontâneas do seu mundo íntimo.
A EXPERIÊNCIA do sonhar é sempre muito mais vasta do que aquilo que se possa explicar dela. No sonhar ocorrem inclusive algumas experiências e conexões entre dimensões espaciais (ou temporais) verdadeiramente surpreendentes.
Mais compreensão e menos explicação seria uma boa palavra de ordem para se colocar, talvez, em um quadrinho na parede, para nos induzir a uma reflexão mais aprofundada a este respeito.
O trabalho do Psicólogo – que trabalha com a interpretação dos sonhos – é o de agilizar e desimpedir a RELAÇÃO entre estas áreas de consciência, pois quanto mais a pessoa se aproxima do contato consigo mesma, menos sujeita ela fica aos valores vigentes e mais, ela se aproxima, de um processo verdadeiramente pessoal de deliberação e de escolha.
Apenas a consciência flexibilizada e individualizada pode servir de instrumento às forças vitais inconscientes – tanto para o bem quanto para o mal – e é também o Indivíduo que realiza a busca (e o encontro) de caminhos, de saídas, de alternativas e de possibilidades, em todas as áreas da vida.
No entanto, nota-se sempre uma enorme ingratidão do pensamento coletivo de todas as épocas para com o valor vital do Plano INCONSCIENTE no crescimento e expansão da CONSCIÊNCIA HUMANA.
Continuando…….. Tenho salientado que o que o precisamos é aprender a nos tornarmos receptivos (e compreensivos) para com o conteúdo aparecido nos nossos sonhos quer tenhamos ou não tenhamos alguém para nos ajudar nesta tarefa.
Mesmo o homem psicologicamente mais desenvolvido do mundo e até mesmo uma humanidade (que podemos imaginar muito mais avançada e sábia – no sentido humano) ainda assim TERÁ UMA VASTA ÁREA DE POSSIBILIDADES NÃO EXERCIDAS, pois ainda se colocará para a CONSCIÊNCIA do Homem, a existência real, tanto do assim chamado plano do CONHECIDO quanto o do DESCONHECIDO, não familiar, não consciente e, portanto, INCONSCIENTE.
O Inconsciente não é constituído apenas do que esquecemos ou deixamos de lembrar, não apenas do que reprimimos (aquilo, em nós, de que nos afastamos), e sim, representa um plano, em nós, que congrega tanto a origem e o passado de nossa espécie quanto as alternativas e possibilidades humanas que ainda não estão sendo exercidas. /span>
Possibilidades e alternativas existenciais humanas, que hoje não estão sendo exercidas, existem – em potencial – e podem ser acionadas pelos indivíduos predispostos a atualiza-las em sua vida pessoal. Fazer valer os momentos em que estamos VERDADEIRAMENTE presentes em nossa vida aumenta muito o gosto e o prazer de viver.
É nesta direção que atua o psicólogo que trabalha com a interpretação dos sonhos.
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A diferença entre o olha e o ver…
Autor: Luis Vasconcellos
(artigo disponibilizado recentemente no portal Somos Todos Um e
cedido para a Indian Rose pelo autor)

Para que exista uma obra de arte, uma escultura p.ex., são necessários o artista, a concepção do artista, uma habilidade desenvolvida pelo artista, um material moldável e ferramentas apropriadas. De que serviria tudo isto sem um observador congruente com a tarefa de ver?
Da idéia até a escultura (ou obra finalizada), várias fases são cumpridas e elas não são evidentes no trabalho realizado.
Contudo, sem a matéria inerte, a pedra ou rocha, sem a idéia, sem o artista, sem as ferramentas corretas nada aconteceria e não teríamos o que admirar com nossos olhos. Estes são, ao mesmo tempo, nosso veículo para olhar, mas só realmente vê aquele que consegue perceber a idéia do artista, sua humanidade, personalidade, maturidade, sensibilidade, a natureza peculiar da rocha (ou qq outro material, como a madeira) e, quem sabe, até os efeitos destas ou daquelas ferramentas usadas. Olhar depende dos olhos, mas o ver depende da consciência.
O que ficaria apenas implícito é revelado para quem tem o conteúdo da EXPERIÊNCIA INDIVIDUAL a lhe compor a visão da totalidade da obra ao invés de sucumbir às ilusões imaginativas de um simples olhar.
Quem ainda não tira frutos de sua experiência para ver o que olha não consegue compor um todo inteligível e compreensível, nem colocar em uma perspectiva mais ampla aquilo que está percebendo.
Quem sucumbe unicamente ao impacto sensório e emocional da obra fica sem ver os demais conteúdos ali implícitos, porém passíveis de serem vistos.
Enquanto a consciência se desenvolve em nós, o passo mais importante é: se dar conta de que existe um foco e que existe um ponto de vista, sempre…
Invariavelmente e não há saída para isto. A saída, se é que merece o nome, é tomarmos consciência de que introduzimos um foco em tudo que percebemos, tudo que percebemos é eleito, de algum modo, por nós mesmos. Essa é a subjetividade inerente à percepção. Não existe observador que não esteja entrando com seus interesses, seus desejos, suas intenções, sua intencionalidade – e assim por diante – em tudo que ele percebe. Chamamos a isto intencionalidade e projeção.
Nada indica que estes dois (a existência do foco e do ponto vista) vão mudar, mas alguma coisa muda quando nos damos conta de suas características e usos. O foco da visão é um problema terrível, pois quando usamos um foco, seja qual for, ao olhar discriminamos tudo que é pertinente ao foco e o que não é pertinente simplesmente é descartado e fica fora da atenção egóica. Podemos exemplificar com a presença, em nossas imaginação, de um homem “teoricamente maduro” que só vê o trabalho na sua frente (este é o seu foco) e que não percebe nem dá relevância à esposa, aos filhos, ao seu laser, ao seu repouso, às outras pessoas em geral… Para ele só existem o trabalho e o dinheiro, a busca de poder, a competividade e seus desafios. O resto, tudo aquilo que não está em seu foco, simplesmente não existe para ele. O resto é simplesmente o restolho de sua perspectiva bem focada e é eliminado das suas considerações sumariamente, pois não tem a mesma importância nem está no centro de sua atenção egóica..
Para efeito de compensação e complementação entre as polaridades feminina e masculina, vejamos também em nossa imaginação uma mulher para quem só existe (em seu foco) o relacionamento com um homem, sua casa, família, filhos e para além deste foco existe o resto, que é igualmente descartado: os maridos das outras, os filhos das outras, seus desejos mais pessoais, sua sempre adiada independência, seu direito à liberdade, seu sonho de uma carreira profissional etc..
Em ambos os exemplos aqui imaginados encontramos pessoas típicas, muitas vezes formando casais que mutuamente se compensam, mas pessoas que estão, por assim dizer, pelas metades, funcionando apenas parcialmente e longe de atingirem a porção de totalidade que suas consciências lhes permitiria, se ao menos tentassem buscar desenvolve-las.
Quem vê vai além daquilo que é percebido pelo olhar. Continue reading »
Golpe de estado na Psique
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Professor Luis A. Vasconcellos – Psicólogo Clínico
“Enquanto o Ego primitivo sentia-se unido/participante das demais forças e instâncias da psique, o Homem sentiu-se participando do paraíso original. No momento em que, na história da humanidade, acabamos expostos ao paradoxo de separar os pares de opostos, de Bem e do Mal, de Homem e Mulher, de Masculino e Feminino… Neste momento desperta a consciência egóica da humanidade e ela nunca mais será UMA com o Criador (na inconsciência de sua própria existência, como os animais). Isto posto, o desafio moderno e futuro é o de desenvolver uma sintonia com o criador, mas não mais como submissão inconsciente às suas leis e regulamentos e, sim, através de ser capaz de comungar com o sentido e o propósito da vida, de cuja existência desconfiamos, porém sem poder explicá-la ou prová-la.
O golpe de Estado na Psique não está para ocorrer, ele já ocorreu – no momento em que surgiu e subiu ao poder o Ego Ditador – e agora temos que ser capazes de restituir ao plano psíquico algum Equilíbrio, Harmonia, Totalidade, Plenitude, Paz… Não como ele foi no passado, mas algo de realmente novo, diferente, transformado….
A existência dos pares de opostos complementares é indiscutível, pois pertence ao vivido assim como o respirar, o comer, a sexualidade, Vida e Morte, Prazer e Dor, Deus e o Diabo, Bem e Mal; todos no mesmo nível de importância…
Também me parece indiscutível a necessidade que o Ego Humano tem, de quebrar o par de opostos, para poder funcionar a contento… Chamo a isto de Identidade Parcial do Ego cujo tema é abordado mais a fundo em outro artigo.
O ego separativo esqueceu-se progressivamente da experiência de união com o universo e com o mundo. Este tipo de “força separativa” veio crescendo aos poucos (como nunca!), na história da humanidade, nos últimos quatro ou cinco séculos.
Este processo traduz algo de muito importante para o desenvolvimento da espécie humana, contudo ninguém escapará dos exageros e desequilíbrios desta posição/atitude específica diante da vida, a menos que desperte sua consciência individual para a compreensão do processo que está em curso…
Arquivado em Luis Vasconcellos | Comment (0)Intraagressividade e Depressão
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Professor Luis A. Vasconcellos – Psicólogo Clínico
“Temos que ter uma agressividade natural, que é o que, em nós mesmos, dá suporte instintivo para a originalidade, a ousadia, a disposição positiva diante dos desafios e assim por diante. Sem agressividade o EU não tem desejos e não luta para realiza-los…
Quem se encontra destituído (podado/proibido/surrupiado) de uma DOSE NATURAL de AGRESSIVIDADE, NECESSÁRIA a uma VIDA SAUDÁVEL e FELIZ, acaba negociando mal as inúmeras situações da vida prática e amorosa, especialmente aquelas em que a defesa do Eu e dos valores do EU é necessária ou mesmo imprescindível.
A agressividade reprimida é UMA das causas da depressão…
Ainda hoje respondi a correios eletrônicos cujo tema principal é a dificuldade que as pessoas têm para elaborar sentimentos negativos e impulsos agressivos.
À grosso modo podemos dizer que as pessoas se diferenciam entre as que são INTRAGRESSIVAS e as que são EXTRAGRESSIVAS, com possíveis graduações infinitas entre as modalidades ACTIVA e PASSIVA.
No extremo da extragressividade temos os tipos violentos/revoltados que não hesitam em atacar e ferir…
No extremo oposto temos os inibidos/conformados e que sofrem quietos sem jamais agir agressivamente contra quem quer que seja, por melhor que seja o motivo e mesmo que isto seja justo…
Obs.: Para efeito desta reflexão em particular não vou comentar todos os caminhos da energia vital, que podem ser muitos, talvez infinitos, mas vou me ater APENAS ao modo específico como ela se apresenta no âmbito do funcionamento do EU INTRAGRESSIVO.
Faço votos de que NINGUÉM (!!!) entenda que só é possível a felicidade humana ATRAVÉS de uma perspectiva extragressiva… Tudo tem a sua hora e o equilíbrio/paz/alegria são atingidos pelo EU que se faça capaz de AMBAS as atitudes, dependendo da pessoa, da situação, da hora e do lugar…
Continuando…
Uma pessoa que tenha uma agressividade bem colocada, não fica na dependência do OUTRO autorizar ou concordar com suas acções e decisões.
Claro que é muito bom quando encontramos espaço, na relação, para exercer nossas individualidades e vontades pessoais. Contudo, não podemos fantasiar que estejamos vivendo este ideal na vida prática, pois ele tem que ser conquistado e dificilmente vem assim sem esforço e aprendizado individual…
Não podemos agir espontaneamente se a nossa primeira preocupação é a de agradar o OUTRO.
E, se alguém negocia mal os “confrontos de interesses” então o resultado é a frustração pessoal (a falta de individualidade!) e instala-se também o mau costume de fazer do OUTRO a “desculpa preferida” para explicar/justificar a frustração, tédio ou falta de ânimo individual.
Já que somos seres que possuem desejos e interesses pessoais, então, não pode nem deve ser transferida ao OUTRO a responsabilidade INDIVIDUAL de agir em busca do prazer e da realização pessoal.
O EU lNTRAGRESSIVO se esquece de que o OUTRO não tem obrigação de concordar nem de facilitar a sua realização pessoal. Se esta facilitação ocorre é óptimo, e podemos falar de AMOR/cooperação e, se não ocorre, podemos contar com o facto de que algum vínculo de PODER ou de dominação (de um pelo outro) esteja sendo a principal preocupação. Não é incomum que, com o tempo, os “tipos” se acomodem em uma relação de “jogo de poder” onde acaba estabelecida a regra de que um “tudo pode” e o outro “nada pode”. Continue reading »
Ciúme e desconfiança sob um ponto de vista psicológico
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Professor Luis A. Vasconcellos – Psicólogo Clínico
O “Inseguro/desconfiado” e suas projecções negativas sobre o Outro
“É fundamental notar que a desconfiança esteja sempre à procura de um motivo real onde se instalar e, de facto, nem precisa ser tão real assim: basta ser plausível e pronto!
Ela se instala!!!
Muito me tem sido perguntado quanto a esta “contaminação nociva” tão comum nos relacionamentos. Primeiro, se faz imperativo ressaltar que, esta “fantasia de segurança” que DEPENDE do outro para se tornar efectiva, não é segurança real, pois depende do Outro para existir.
De facto, em realidade, para o “desconfiado/inseguro” típico, não importa o que o Outro faça para evita-la, pois a Insegurança estará sempre presente, à espera de um motivo, já que ela não depende de um motivo real, pois emana do EU.
Vice-versa, poderíamos dizer que a “Confiança” e a “Segurança” são qualidades energéticas, ou seja, são algo que a gente ENTREGA, pois emana do EU para os Outros, ou então não existe, de modo algum.
É necessário ressaltar o aspecto “radiante” ou “energético” da confiança, do amor e da fé. Trata-se de um fenómeno energético, que tem a direção do EU para fora do EU e é projectada sobre o mundo e os outros. Aquele estado, comumente também chamado de “confiança” e que depende do Outro (ou do que o Outro faça!) para existir ou para se manter, em verdade, não merece este nome, pois não é confiança coisa nenhuma.
Se eu confio, não vigio, se confio não me faço um “negociante” da confiança ou da desconfiança do Outro, não me torno um GUARDA restritivo e muito zeloso de suas “posses adquiridas”, não me torno um “segurança”, sempre pronto a cercar e garantir, sempre pronto a proibir e a limitar a liberdade do outro.
Se EU, em nome de minha Insegurança exijo “provas” diuturnas de que o Outro nada tenha feito para merecê-la, então, de fato, de dentro de minha Insegurança, o Outro é CULPADO, a menos que PROVE O CONTRÁRIO, pois a realidade única que eu permito é a da minha DESCONFIANÇA e o Outro, na verdade, não é levado em conta, e sim, desconsiderado e desrespeitado em sua Individualidade, poder de escolha e liberdade. Aí está a raiz psicológica da Democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais. Continue reading »
Arquivado em artigos, Luis Vasconcellos | Comment (1)“A conquista e o Objecto Conquistado”
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Professor Luis A. Vasconcellos – Psicólogo Clínico
“Os opostos atraem-se, sobre isso nada precisa ser feito, pois sob esta lei homens e mulheres se procurarão por todo o sempre. O côncavo e o convexo se complementam.
Cada qual vê o OUTRO como o seu objeto de satisfação e de prazer.
Cada qual vê, no OUTRO, aspectos atraentes e faz o que for exigido para garantir a si mesmo(a) a continuidade do prazer, do encontro, da troca, da relação, da conquista e, claro, acima de tudo e de todos, da perpetuação da espécie. Alguém duvida da força e domínio deste instinto em nosso comportamento de relação e de envolvimento?
Forças poderosas e instintivas estão no domínio quando se trata de relacionamento entre sexos e entre polaridades masculina e feminina…
Para homens e mulheres, no passado e ainda hoje, os papéis e posições no jogo da conquista são geralmente diferentes e até opostos: No passado, os papéis eram prescritos e claros: Cabia à mulher, com mais freqüência, o papel passivo, ou seja: ela dava sinais e esperava a iniciativa do homem, ela tinha um “comportamento de conquista” por meios indirectos (vulgo sedução), estimulando o macho a um papel activo, quase sempre delegando a ele as iniciativas. Sabemos hoje o quanto isso mudou!…
Geralmente alguém que decide entrar em um relacionamento depois de responder positivamente a comportamentos e sinais de sedução ou conquista, depois de algum tempo, acaba por ver, com saudade e sofrimento, eles desaparecerem ou se tornarem cada vez mais raros.
Como reagir quando flores não são mais enviadas, poesias não são mais escritas, momentos de encontro são mais espaçados, telefonemas rareiam, datas significativas são esquecidas, bilhetes/ cartas / torpedos (sms) / correios electrónicos não são mais enviados?
Ninguém errará se pensar que o lado feminino anseia muito mais por estes acontecimentos e sofre proporcionalmente mais, pela falta deles…
Mas são anseios também do lado masculino.
Há um amor de posse (“toma lá, dá cá”) e há um amor de doação (“é dando que se recebe”).
As pessoas presas do egocentrismo e do narcisismo não conhecem o amor de doação. Alguém poderá dizer, sem faltar com a verdade, que estas pessoas só se amam a si próprias e não ao OUTRO.
O primeiro tipo de amor é muito mais comum e de uso corrente do que o segundo que depende muito mais de que sejam atingidos alguns graus de evolução psicológica.
Pergunta: O que acontece quando o objecto da conquista já está garantido?
Vamos reflectir nisto: Todo relacionamento tem fases e normalmente a primeira fase contém componentes de sedução e conquista em grande proporção.
Estas pessoas, quando fazem algo de bom para o OUTRO, fazem-no com vistas a obter o que desejam e, uma vez alcançado este objetivo, abandonam os comportamentos de conquista/sedução e, aos poucos vão deixando de dar sinais de interesse ou de carinho pelo OUTRO. Continue reading »
“O Trabalho com os Sonhos”
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Professor Luis A. Vasconcellos – Psicólogo Clínico
Para além de um reconhecido profissional na área clínica da psicologia, escritor de vários artigos, Luis Vasconcellos, com consultório em São Paulo, Brasil, é também conhecido pela qualidade do trabalho que desenvolve e lecciona na área de “Interpretação de Sonhos”.
Acompanhamos à distância esse seu trabalho com respeito e admiração. E é com muita honra que informamos os nossos leitores que Luis Vasconcellos, aceitou o convite da Indian Rose, para publicar periodicamente os seus artigos, abordando diversas áreas, no nosso Blog.
“É preciso reconhecer o valor e a importância do estudo dos sonhos e estimular a descoberta de sua praticabilidade e pertinência enquanto fornecedor de referências e informações quanto ao estado psicológico do sonhador e dos processos que estão ocorrendo, entre o consciente e o inconsciente, face os desafios e exigências da vida de vigília.
Os sonhos têm sido objecto de estudo em todas as épocas, mas seu maior valor se dá quando o conteúdo é acolhido (entendido, compreendido, aceite) pela consciência do próprio sonhador. Neste sentido constituem um estimulante desafio para qualquer um que esteja à procura de conseguir autoconhecimento.
Como actividade autônoma e espontânea do Inconsciente, seus símbolos e representações constituem inestimável ajuda no re-estabelecimento de uma ponte de conexão entre o Ego Consciente e o Inconsciente.
Na infância esta ponte é muito freqüentemente usada e, depois, com a aculturação do adulto na direção da fixidez, repetição e rigidez de um “piloto automático” confiável, torna-se cheia de “ruído de comunicação” e/ou reprimida.
O estudo dos sonhos deve ser realizado com muita consciência ética e com responsabilidade, particularmente quando atingimos a possibilidade de interpreta-los para o sonhador, tarefa esta que só deve ser tentada por pessoas esclarecidas e treinadas, respeitando-se os padrões éticos mínimos e a sobriedade nas interpretações oferecidas.
No sentido popular qualquer interpretação é válida, contudo, se afecta o sonhador e, se o afasta ou o aproxima da conexão com o Inconsciente, então devemos ser cuidadosos com o que falamos e com as maneiras, às vezes, muito inapropriadas com que nos referimos aos sonhos da pessoa.
A interpretação de um sonho afecta o equilíbrio do sonhador com o seu inconsciente e só deve ser realizada, com profundidade, por aqueles que entendam tanto o alcance quanto o limite que pode ter esta intervenção interpretativa:
- O sonhador é o centro de decisão e o único que pode, livremente, fazer alguma coisa a partir do entendimento do simbolismo presente em seu sonho.
- Sonhos encontram o melhor de seu sentido na vida individual do sonhador. Generalizações em torno dos seus significados (para a vida de outros sonhadores) são impróprias.
- Cabe ao sonhador se exercitar em associações e descobertas do sentido e pertinência dos conteúdos e representações de seu sonho.
- A função de quem interpreta ou traduz um sonho é estimular estas descobertas e intensificar a relação de compreensão entre o consciente do sonhador e os conteúdos espontâneos do seu inconsciente. Neste sentido e nesta direção é que são interpretadas as imagens, sensações, situações e personagens presentes no sonho.
- O sonhador é estimulado a ter uma experiência mais plena da intensidade e do sentido de seu sonho em sua vida. Lembrando que não é por acaso que alguém sonha com este ou aquele conteúdo em um determinado dia, ciclo ou fase da vida.
- A simples compreensão adequada do conteúdo de um sonho tem efeito na dinâmica consciente / inconsciente e pode afetar o equilíbrio e a natureza desta relação em um dado momento.
- Todo e qualquer sonho pode ser alvo das mais variadas e diferentes abordagens e interpretações.
- O preparo técnico e ético do interpretador cumpre importante papel, porém não elimina a possibilidade do engano e do mau julgamento de um sonho. Neste sentido é de suma importância que o interpretador esteja consciente e seguro tanto quanto aos seus limites quanto aos seus horizontes de possibilidades. Neste sentido a sobriedade e a parcimônia são virtudes preciosas e imprescindíveis.
- Se o sonhador exige privacidade e respeito ao conteúdo dos seus sonhos estes jamais poderão ser alvo de discussão em qualquer outro ambiente sem que sejam retirados dos conteúdos do sonho toda e qualquer menção ou referência que possa identificar o sonhador.
- A interpretação de um sonho pode ser componente essencial em uma psicoterapia, mas a interpretação de um sonho em outras situações não tem, necessariamente, efeitos terapêuticos.
- A interpretação sofre efeitos do condicionamento cultural e social do interpretador e assim também de sua subjetividade. Em assim sendo, a interpretação deve ser focada no cliente e o sonho deve ser visto com referência à situação e à experiência de vida do sonhador.
- O interpretador deve ser prender ao que é relatado e jamais fazer inferências, projeções ou associações de caráter pessoal sobre o conteúdo relatado. Em caso de necessidade ele deve solicitar ao sonhador maiores informações, associações ou um relato mais pormenorizado.
- Conseguir aumentar a conscientização dos conteúdos dos sonhos pode ser entendido como o propósito geral do trabalho com os sonhos. Este aumento de compreensão ocorre tanto para o interpretador quanto para o sonhador.
- Não há conteúdo “certo” ou “errado” em um sonho. Em um sonho nada “deveria” ser diferente do que foi.
- O conteúdo básico de um sonho deve ser defendido, inclusive e também, das inferências e deduções, julgamentos e considerações posteriores do próprio sonhador.
- O interpretador deve estar consciente e informado quanto ao mecanismo, processo e função do sono, tanto quanto do sonhar.
- Cada sonho deve ser interpretado considerando-se, no mínimo, sexo, idade, estágio de desenvolvimento, cultura e amadurecimento do sonhador. As interpretações devem ser sintonizadas e adequadas a estas características pessoais do sonhador.
- Não tem valor algum fazer uma interpretação “madura” de um sonho para um sonhador que apenas anos mais tarde terá maturidade para entende-la.
- A interpretação deve ser dirigida ao entendimento e assimilação do sonhador, só quando ela ocorrer o trabalho é considerado realizado, custe o que custar em termos de esforço, maleabilidade e até de repetição por parte do interpretador.”
Luis A. Vasconcellos
Texto cedido pelo autor.
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